O Programa Fábricas de Cultura está sendo implantado pela Secretaria da Cultura por meio de contrato firmado entre o Governo do Estado de São Paulo e o Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID.

O Programa propõe ações direcionadas a crianças e jovens, de 7 a 19 anos, nos seguintes distritos: Cidade Tiradentes, Itaim Paulista, Sapopemba e Vila Curuçá (zona leste); Brasilândia, Cachoeirinha e Jaçanã (zona norte); Capão Redondo e Jardim São Luiz (zona sul). A escolha das regiões aconteceu a partir do Índice de Vulnerabilidade Juvenil - IVJ, desenvolvido pela Fundação Seade e composto por variáveis que influem nas condições de vida dos jovens.

As disciplinas artísticas que serão desenvolvidas nas Fábricas de Cultura são: música, artes visuais, artes cênicas, multimídia, literatura, teatro, dança e circo. Estruturadas em oficinas contínuas, com duração de seis meses, essas atividades serão guiadas pela reflexão sobre as questões de sociabilidade dos grupos e de formação do cidadão.

Os resultados das atividades culturais e das ações de implantação do Programa serão monitorados e avaliados constantemente, garantindo a possibilidade de revisão de planejamento e a comprovação dos benefícios gerados para os participantes e para a população geral dos distritos.

Secretário Andrea Matarazzo fala sobre o Programa Fábricas de Cultura

O que se fabrica numa Fábrica de Cultura?
Andrea Matarazzo – Cidadania, principalmente. Quando possibilitamos o acesso à cultura, estamos proporcionando o contato das pessoas com o que elas têm de mais humano – a necessidade de se expressar, a criatividade. A cultura transforma as pessoas, lhes dá visão crítica sobre o mundo e o que as cerca. Portanto, a cultura é essencial para a cidadania plena e esta foi a missão que recebi do Governador Geraldo Alckmin: ampliar cada vez mais o acesso aos equipamentos e programas culturais em todo o Estado de São Paulo, priorizando aqueles que, pela distância geográfica ou poder econômico, têm mais dificuldades em usufruir deles.

Como funcionam as Fábricas?
Andrea Matarazzo – As Fábricas de Cultura são como grandes centros culturais, com cerca de 7 mil metros quadrados cada uma. Têm salas de aula, biblioteca, teatro com 300 lugares, com um prédio de altíssima qualidade. Cada uma oferece entre 1.200 e 1.400 vagas em ateliês culturais para crianças e jovens dos 8 aos 19 anos. São cursos de música, teatro, circo, dança, multimeios, xadrez e artes plásticas, cada um com várias modalidades. Dentro de dança, por exemplo, há desde o balé clássico ao street dance. Em música, há turmas de instrumentos de corda, metais, percussão e até curso de DJ. Cada turma tem aulas duas vezes por semana e elas acontecem de terça a sexta-feira. Aos sábados e domingos, há atividades de difusão, com shows e sessões de cinema no teatro. As fábricas só fecham às segundas-feiras, para manutenção.

Onde elas estão sendo construídas?
Andrea Matarazzo – Além das que já foram inauguradas na zona leste – Vila Curuçá, Sapopemba e Itaim Paulista – estamos finalizando a de Cidade Tiradentes. Na zona sul, teremos Fábricas de Cultura em Jardim São Luís e Capão Redondo e, na zona norte, em Vila Nova Cachoeirinha, Jaçanã e Brasilândia. São nove no total, três já em funcionamento e as outras seis em obras neste momento. Pretendemos inaugurar todas até o começo do ano que vem.

Como estes bairros foram escolhidos?
Andrea Matarazzo – Levamos em consideração uma pesquisa realizada pela Fundação Seade, que criou um Índice de Vulnerabilidade Juvenil (IVJ) a partir de informações sobre crescimento populacional, frequência escolar, gravidez e violência entre adolescentes. Eles calcularam o IVJ para cada bairro de São Paulo. E, com base nos resultados, nós selecionamos para implantar as Fábricas de Cultura aqueles com IVJ mais alto – ou seja, onde os jovens estão mais sujeitos à violência urbana e à falta de oportunidades. Por isso disse no começo da entrevista que o maior objetivo das Fábricas é promover a cidadania plena. Estamos usando o acesso à cultura como uma forma de apresentar outros caminhos aos jovens, ao mesmo tempo em que envolvemos toda a comunidade.

Mas se o foco são os jovens, como a comunidade é envolvida?
Andrea Matarazzo – De várias maneiras. Primeiro, porque quando se proporciona atividades como as das Fábricas para uma criança ou adolescente, toda a família é beneficiada e acaba sendo atraída para o universo da cultura. Segundo, porque mães e pais são chamados periodicamente para conversar com os educadores. Nestas reuniões, eles nos dão retorno sobre os pontos positivos e o que precisa ser melhorado no programa. Além disso, aos sábados e domingos a programação é aberta para toda a comunidade, sem necessidade de matrícula ou inscrição prévia. Sempre que possível, os ateliês interagem com o bairro. Em Vila Curuçá, por exemplo, os alunos de grafitti estão pintando os muros de casas próximas às fábricas, com autorização dos proprietários. Ou seja, o projeto está literalmente mudando a cara das comunidades.

Há poucos equipamentos culturais na periferia. A Secretaria tem a intenção fazer algo para mudar essa realidade?
Andrea Matarazzo – Sim, este é o nosso maior desafio. Temos algumas iniciativas que abrangem a periferia muito bem, como Projeto Guri, que mantém 38 polos de iniciação musical para crianças na capital, sendo 14 na zona leste. O Guri é o maior projeto sociocultural do Brasil, atendendo, no total, mais de 50 mil crianças em todo o Estado. Nossas Oficinas Culturais também estão espalhadas pela cidade e, além de suas seis sedes fixas, promove cursos em vários bairros. Ao todo, 8,5 milhões de pessoas em todo o Estado são beneficiadas com ações gratuitas promovidas pela Secretaria, em várias áreas – apresentações, cursos, seminários, dentre outros. Mas, de fato, a maior parte dos equipamentos culturais de São Paulo está concentrada numa parte muito pequena da cidade, quase todos na região central. Isso acontece principalmente com os museus e os teatros. Nem todo mundo tem condições financeiras ou tempo para se deslocar dos bairros mais distantes para usufruir destes equipamentos. Por isso, temos dado uma ênfase muito grande à descentralização das ações da Secretaria, de forma a democratizar o acesso à cultura de qualidade. Estamos preparando para os meses de primavera e verão uma grande programação cultural nos parques estaduais da capital, sempre aos finais de semana. O objetivo é levar a cultura onde a população está. Haverá apresentações de teatro, dança e circo, oficinas, instalações interativas e shows musicais, que divulgaremos em breve.